quarta-feira, abril 21, 2010
sábado, abril 17, 2010
Eyjafjallajökull - somos tão vulneráveis como o resto do mundo!
Os fenómenos naturais só provocam estragos realmente grandes longe do conforto e da protecção das "nossas" cidades. Aqui, na Europa, estamos protegidos.
Quantos de nós já não tiveram este pensamento?!
Mas a explosão de um vulcãozito (o gigante vizinho do lado ainda está adormecido) ao largo da Islândia só nos está a dizer que a nossa sociedade global/regional é tão vulnerável como qualquer outra. Ou mais, pois as expectativas, a crença na superioridade ou na invencibilidade das redes, é inversamente proporcional à mitigação.
Estou retido em Bruxelas, mais um dia que o previsto, mas amanhã de manhã lá apanharei o comboio de volta à minha Londres, vencido que está o medo do escuro! Mas, infelizmente, não temos tido todos a mesma sorte. Nos vários relatos que se podem ler pelos jornais há histórias menos felizes que a do John Cleese! Por exemplo, os Portugueses que aqui estavam comigo vão fazer Bruxelas - Paris - Burgos - Lisboa - Porto (comboio - carrinha - carro)...
(cortesia do RM)
sexta-feira, abril 16, 2010
Percursos diferentes
O Bernardo e a Maria conheceram-se em Timor em 2004.
Eu tinha acabado o curso e a Maria era a enfermeira da missão da AMI.
Estivemos juntos menos de 2 semanas. Identificamo-nos um com outro (nada a ler nas entrelinhas entenda-se).
Ainda nos encontrámos 2 vezes em Portugal.
Depois a vida levou-nos por percursos diferentes e apenas fui recebendo notícias da Maria por e-mail. Voltou para Timor onde esteve até ao início deste ano.
Acabo de ler um e-mail da Maria.
Ela é enfermeira. Está na minúscula (em todos os sentidos) Ilha de Moçambique onde os habitantes fazem cocó na praia.
Eu estou a fazer um Doutoramento em Londres. Sou presidente da associação Europeia que representa médicos em formação e eu estou neste momento no Eurostar a caminho de Bruxelas (porque há no ar uma perigosa nuvem de poeira, que não se vê).
Será que de algum modo um vulcão em erupção na Islândia afecta a vida dos habitantes da Ilha de Moçambique?!
Provavelmente não. Mas o e-mail da Maria fez-me pensar (outra vez) que há caminhos alternativos que não tomei, que a minha vida poderia ser bem diferente.
E isso deixa-me feliz (porque estou feliz!)!
quinta-feira, abril 15, 2010
domingo, março 28, 2010
A desconfiança está a desaparecer...
Banda sonora deste Domingo de manhã: o costume (no melhor sentido possível) a tocar Elite athelete & Arundel - late night walk home.
A história desta semana podia ter inúmeros títulos, tantos foram os contextos, espaços e emoções onde me movi.
(e a música "sobe" para Balmorhea - Bowspirit (gostava de ter mais tempo para explorar as deixas do Pedro!).
Mas olhando para trás, um exercício que devia fazer mais vezes, escolho este: a desconfiança está a desaparecer! Esta cidade está-se a tornar minha, ou será ao contrário?!
Tive teatro. Curtas numa qualquer linha entre o amador e o profissional, num ambiente intímo na cave de um pub: The factory. Pista com chão de luz. Títulos (autores e actores) escritos numa lousa. Público escolhia a ordem e os papeis (1st/2nd…) dos actores. Houve interpretações fantásticas. As minhas favoritas:
- uma pessoa aborda outra na rua reconhecendo a sua origem (outro país, terra) por te-la ouvido falar ao telefone. Esta, a segunda, inicia o diálogo intimidada pois não reconhece a primeira que claramente sabe muito sobre a sua vida do passado. Papeis invertem-se quando a primeira se expõe ao ponto de dizer que a segunda foi carcereiro numa prisão onde ela recebeu maus tratos (presumivelmente num país estrangeiro, lutas étnicas…). Aí o carcereiro torna-se o mais forte e dominador dizendo “que ainda há muitos de nos aqui e que não adianta fugires que te vamos apanhar”…
- casal disfuncional!!! A mulher chega a casa 2 horas depois de ter saído do trabalho e com o telefone sempre desligado. Companheiro deixou queimar o jantar POR CAUSA dela, estava preocupado... Mas ela foi em piloto automático para a sua antiga casa, uma pequenino apartamento onde agora vivem 7 pessoas de uma família da Europa de Leste que a acolheram muito bem. E eram tudo o que eles os dois não eram (doces, amigáveis, compreensivos…)…
Proximidade com o publico sem exageros que eu detesto.
Houve Ballet Black. Uma colagem incoerente de 4 peças. Muito boa música (gravada). Bailarinos medianos. Criatividade reduzida. Mas, bons momentos de movimento. Foi bom!
E ontem, depois de umas horitas no Instituto houve Chris Ofili e Henry Moore. Não vos maço com os meus comentários e divagações.
E claro, já houve cardiomiócitos que batiam!!! Ajuda preciosa da M (é incrível como comentários simples de quem sabe e tem os olhos bem abertos podem ajudar).
Também houve esquecimento de um aniversário de quem não merece que se esqueça (vergonha de telefonar a pedir desculpa) e uma festa do bigode onde não estive.
Mas a cima de tudo, não estranhei a confusão da hora de ponta, caminhei livremente pelas ruas, tive saudades mas senti-me em casa...
Daqui a pouco saio do Instituto e só me apetece uma tarde em frente à televisão a ver filmes de qualidade duvidosa (mas há tanto trabalho do PWG para fazer...).
Bom Domingo!
A história desta semana podia ter inúmeros títulos, tantos foram os contextos, espaços e emoções onde me movi.
(e a música "sobe" para Balmorhea - Bowspirit (gostava de ter mais tempo para explorar as deixas do Pedro!).
Mas olhando para trás, um exercício que devia fazer mais vezes, escolho este: a desconfiança está a desaparecer! Esta cidade está-se a tornar minha, ou será ao contrário?!
Tive teatro. Curtas numa qualquer linha entre o amador e o profissional, num ambiente intímo na cave de um pub: The factory. Pista com chão de luz. Títulos (autores e actores) escritos numa lousa. Público escolhia a ordem e os papeis (1st/2nd…) dos actores. Houve interpretações fantásticas. As minhas favoritas:
- uma pessoa aborda outra na rua reconhecendo a sua origem (outro país, terra) por te-la ouvido falar ao telefone. Esta, a segunda, inicia o diálogo intimidada pois não reconhece a primeira que claramente sabe muito sobre a sua vida do passado. Papeis invertem-se quando a primeira se expõe ao ponto de dizer que a segunda foi carcereiro numa prisão onde ela recebeu maus tratos (presumivelmente num país estrangeiro, lutas étnicas…). Aí o carcereiro torna-se o mais forte e dominador dizendo “que ainda há muitos de nos aqui e que não adianta fugires que te vamos apanhar”…
- casal disfuncional!!! A mulher chega a casa 2 horas depois de ter saído do trabalho e com o telefone sempre desligado. Companheiro deixou queimar o jantar POR CAUSA dela, estava preocupado... Mas ela foi em piloto automático para a sua antiga casa, uma pequenino apartamento onde agora vivem 7 pessoas de uma família da Europa de Leste que a acolheram muito bem. E eram tudo o que eles os dois não eram (doces, amigáveis, compreensivos…)…
Proximidade com o publico sem exageros que eu detesto.
Houve Ballet Black. Uma colagem incoerente de 4 peças. Muito boa música (gravada). Bailarinos medianos. Criatividade reduzida. Mas, bons momentos de movimento. Foi bom!
E ontem, depois de umas horitas no Instituto houve Chris Ofili e Henry Moore. Não vos maço com os meus comentários e divagações.
E claro, já houve cardiomiócitos que batiam!!! Ajuda preciosa da M (é incrível como comentários simples de quem sabe e tem os olhos bem abertos podem ajudar).
Também houve esquecimento de um aniversário de quem não merece que se esqueça (vergonha de telefonar a pedir desculpa) e uma festa do bigode onde não estive.
Mas a cima de tudo, não estranhei a confusão da hora de ponta, caminhei livremente pelas ruas, tive saudades mas senti-me em casa...
Daqui a pouco saio do Instituto e só me apetece uma tarde em frente à televisão a ver filmes de qualidade duvidosa (mas há tanto trabalho do PWG para fazer...).
Bom Domingo!
quarta-feira, março 24, 2010
terça-feira, março 23, 2010
segunda-feira, março 22, 2010
Porquê???
22 de Março. Segundo dia da Primavera.
Há sol mas não constante (ontem pelo contrário o dia foi incrivel). E quando ele não está há vento desconfortável.
Há autócnes de calções na rua.
Porquê???????
terça-feira, março 09, 2010
45 microlitros
Estas tarefas de laboratório básicas ainda são um desafio para mim!
Hoje transferi 1ml de uma laminina (que estava no congelador de -80C) para aliquotas de 45 e 65 MICROLITROS! Muito bom! E não pensem que é chegar ali e já está!
É preciso tirar o frasquinho Mãe do congelador, deixa-lo ambientar, rotular os frasquinhos filhote, spinar só um bocadinho a Mamã (não vortexar que as proteínas não gostam disso COMO TODA A GENTE SABE!!!), escolher a pipeta certa, escolher as pontas de pipeta certas, pipetar com todo o carinho, rezar para que o volume da Mamã bata certo com as contas para o número dos filhotes (bateu!), fechar os tubinhos, três vezes para ter a certeza que não perdemos o precioso nectar, pôr tudo numa caixinha, rotular a caixinha, pôr a caixinha no congelador -80C! Sempre sem grande certeza de que o que lá está são de facto 65 ou 45 microlitros - que, note-se, é cerca de 4000 vezes menos que um pacote de leite chocolatado!!!
Adorei!
A fechar a loja para ver o Arsenal - Porto num cantinho de um pub por aqui! Num cantinho que estes tipos não são de confiança!
Boa soooooorrrrtttteeeeeeeeeee!
sexta-feira, março 05, 2010
o dia de hoje teve 347 horas!
Acordar atrasado, metro atrasado, experiências grandes, e outras com células pequeninas, compras e passeios pelas catacumbas perdidas do UCL (papel, luvas, seringas, agulhas para as seringas, frascos de todos os tamanhos e 3 feitios que em inglês se diz de maneira diferente, batas) sopa de lentilhas, ler e tentar compreender (Gibbs, redox, e outros potenciais bla), caminho de casa, concentrado demais que deixei passar paragem (mesmo não estava a dormir), arrumações e limpezas (a fundo, ELES vêm aí), valeu o conforto da roupa a sair da máquina de secar, jantar, fazer o jantar, ler, PWGAMEEBolognaEWTDUEMSREPeoutrascoisasmais, escrever, escrever, escrever até agora. Valeu a companhia de um sorriso e do som do costume (ouçam em loop: 241, 253, 255...).
Amanhã pela manhã ELES já cá estarão! :)))))
Bom fim de semana!
Amanhã pela manhã ELES já cá estarão! :)))))
Bom fim de semana!
quinta-feira, março 04, 2010
OK Go - This Too Shall Pass (simplesmente incrível)
Quem foi ao CCB durante a Experimenta Design talvez se lembre do treadmill video de "Here it goes again". Mas este superou as minhas expectativas quando li esta manhã no jornal que este será provavelmente o maior efeito dominó de sempre! Foram precisas 60 tentativas...
Bom dia!
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
Women Rule!
Sexta-feira à tarde é dia de não trabalhar. Não dá! Não consigo! Há anos que é assim e acho que sempre será...
Costumo então aproveitar para por em dia a literatura, ver o que há de novo no maravilhoso mundo da sépsis, mitocôndria, coração, canais disto e daquilo...
Hoje encontrei este título maravilhoso: "Wonem rule!" Ainda mais sabendo que vem de uma revista de cirurgiões!
Bom fim de semana!
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Moustache party 2
Moustache party 1
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
sábado, fevereiro 06, 2010
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
The right way
Por aqui tudo o que se faz é the right way no sentido em que é feito "do modo correcto". As notas musicais (A, B, C, D... em vez de Dó, Ré, Mi, Fá...), guiar do lado correcto da estrada...
O Simon hoje saiu mais cedo e com ele levava um sorriso mais leve do que o costume. Ia fazer "marmelade". Uau disse eu. Mais duas de treta com a Jane e descubro que aqui "marmelade" (leia-se "marmeleide" com o right british accent) é feita com laranjas de Sevilha. Digo, são mas é loucos "marmelade" que é certamente o mesmo que "marmelada" faz-se com marmelos como o próprio nome indica jamais com outro qualquer fruto que não tenha na sua constituição pelo menos as letras "marm", categoria na qual nem laran nem orang se enquadram... Dicionário online confirma que marmelo se diz "quince" aqui na ilha. Os teimosos mantiveram a deles. A verdadeira, the right "marmeleide" vem da laranja e ponto final.
Valeu à razão a wikipedia, um vício cá do laboratório em que nada fica por responder nem que seja com a cheia de erros wiki. Vale a pena ler:
No fim, provou-se, a acreditar na wiki está claro, que uma partida da história roubou os quinces sabe-se lá para onde e que a "marmeleide" não é mais do que compota de laranja.
Lição número 1
E começou assim!
Hoje foi a primeira lição... Os três primeiros acordes já estão quase quase quase...
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Realpolitik
Infelizmente, quando se avançava às cegas pelos pantanosos terrenos da realpolitik, quando o pragmatismo toma conta da batuta e dirige o concerto sem atenção ao que está escrito na pauta, o mais certo é que a lógica imperativa do aviltamento venha a demonstrar, afinal, que ainda havia uns quantos degraus a descer.
José Saramago em Intermitências da Morte
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