quinta-feira, abril 27, 2006

Luto.

Luto, s. m. O trajo de crepe ou pano preto que se usa por morte de alguém. // Tristeza, sombra. // Dor, mágoa.
Para mim, é sobretudo admiração e respeito.
Ao Dr. Silva Araújo.

Casa nova!

Amanhã mudo de casa.
Até dia 1 de Maio há no Porto:
- Spring Meeting of Permanent Working Group of European Junior Doctors, aka PWG;
- III Congresso Nacional do Médico Interno.

APAREÇAM!

terça-feira, abril 25, 2006

Cinema Batalha

Ontem fomos ao Cinema Batalha!
Num instante, tive de novo 15 anos e estava com a Inês, a Rita e a Raquel a subir as escadas para o Balcão atrasados para ver o 'Encruzilhada', o último filme que fomos ver ao Batalha.
Estava tudo lá: o vidro, o corrimão, o preto brilhante do chão, as linhas curvas das escadas, as do tecto, os dourados, a cerâmica quebrada dos mesmos urinóis, a madeira, os letreiros...
Havia ainda fotografia de Carlos Amaral e estavam lá eles também!

quarta-feira, abril 19, 2006

Porquê?

Duvidas que me perseguem nas últimas semanas e não consigo deixar de pensar:
1. Quantos milimetros são 1 pixel? Quantas vezes 256k cabem em 1 Giga? O que é 1 Giga? Quantos arranha-ceús de 50 andares têm os senhores do Google em Manhattan para colocar todos os cartões SD de 1 Giga com as mensagens de e-mail dos utilizadores do gmail? A capacidade do gmail está sempre a aumentar. Os tipos compram um prédio novo por semana ou por mês?
2. Contractos de bancos e seguradoras. Quem é que escreve aquilo?!
3. Onde estavam os nossos DEPUTADOS à Assembleia da República no dia 13 de Abril de 2006?

domingo, abril 16, 2006

Domingo de Páscoa.

Acordo com a versão quase moderna de um 'Aaaaleluia, Aaaaleleuia...' rouco e destorcido que gritava de um gira-discos antigo, pela certa colocado na parte de cima da carrinha da Paróquia de Ramalde. Recordo o compasso de Fão.
Hoje somos trinta e dois à mesa.
Aleluia, Aleluia, Jesus Cristo ressuscitou!

sexta-feira, abril 14, 2006

Voltei a chorar

Devo tê-lo feito não mais do que 5 vezes nos últimos 10 anos.
Mas hoje, quando um Apgar 3 após uns minutos de REANIMAÇÃO, disse o seu primeiro NÃO e se tornou num 3/9 bem diante dos meus olhos, simplesmente, chorei.
Trazer de novo à vida, quase dar vida...
Na sua simplicidade foi isto que sempre quiz ser! Foi para isto que vim!

segunda-feira, abril 10, 2006

First day on the job

Sítio novo, esperava DENTRO da sala A do Bloco de Ortopedia, bem antes da hora prevista, enquanto o chefe do dia trabalhava à entrada do Bloco. Lindo!
Depois disto foi...
... monitor, derivações ECG (diferentes das 12 do costume), ai desculpe que eu já cá estava, saturímetro, TANIV, acesso venoso periférico que eu queria mesmo colocar e nem tive hipótese, isto aqui trabalha-se, nome do chefe, nome da enfermeira 1, nome da enfermeira 2, nome do cirturgião, nome da cirurgiã, algaliação, posição, conforto do doente, inspira, espero que ele não me pergunte diluições, EOT sei eu fazer...
...faço, digo, tento a raqui (a última reacção vagal remanescente!), faço o bloqueio periférico poplíteo esquerdo (Prof. Artur Águas, desculpe), midazolam a 1 %, midazolam a 1% quer dizer o quê?, pronto, agora é que foi, contas à mão, regras de 3 simples 5 vezes, propofol, fentanil, folha de registo da anestesia, lentidão, como é mesmo o nome da enfermeira?, expiro, ASA, Mallampati, todos os tempos que não decorei e devia saber (tempo da sala de indução, tempo de início da Anestesia, tempo de início da Cirurgia...), Cefazolina (ou será Cefotaxima?), Ropivacaína hiperbárica (ou será Bupivacaína?), tenho que fazer o MEU regsito, Bupi, Ropi, 0,375 mg, 5%, 10mg, 4 ml...
...Bupi, Ropi...
... compressas, volume de urina, bolas não entubei, TANIV, ritmo, FC, passa a doente para a cama da UCPA, passa a doente na UCPA...
... Ah! É verdade! Tudo isto com a D. Filipa (nome fictício; sempre gostei de dizer isto!), uma senhora de 53 anos (fictício), a respirar sozinha na "minha" mesa, a dormir um sono leve e a sonhar com as últimas palavras que o Anestesista dela (eu!) lhe disse: "Vai dormir um soninho. Vai correr tudo bem!".
Adorei!

(Dr.) Raul, obrigado pelo gosto de ensinar, persistência e pacência.

quinta-feira, abril 06, 2006

Palavras quase mágicas

Acordar nem sempre é fácil!
Pode não se gostar muito da música, mas ouvi-los entre as 0700h e as 1000h vale mesmo a pena!
Nem que seja só por 5 minutos.

Julian Bion n.º 2

Desta vez ao vivo nas Jornadas de Medicina Intensiva da Primavera:
«interno chato do primeiro ano» Dr. Bion?!
«Dr. Julion Bion» cara simpática a pensar: "quem é este?!"
«interno chato do primeiro ano» gaguejando My name's Bernardo and I am a Resident in Anesthesiology for a couple of weeks in Dr. Carneiro's hospital, Santo António. I red your text in Clinical Anesthesiology about the role of the Anesthesiologist...
...
«Dr. Julion Bion» Intensive care is the only place in the hospital where you are a Family Doctor.

Desta nunca mais me esqueço!

terça-feira, abril 04, 2006

Anestesiologia

Para quem pensa que somos os médicos que põem os doentes a dormir e passamos horas no bloco a beber café, ler o jornal e fazer palavras cruzadas:

"From the early days from intraoperative administration of anesthesia and airway support during surgery, the anesthetist may now be involved in perioperative care, intensive care medicine, physiological manipulation, monitoring, pharmacology, and acute and chronic pain management, as well as clinical and laboratory research. In parallel with this expansion in role, the discipline as also made major contributions to patient safety... at a level that has been linked to that of aviation."
Shauna Irgin
Julian Bion
Clinical Anesthesiology 4th edition; Morgan, Mikhail, Murray, Lange, 2006

Nota: Julian Bion estará presente nas próximas Jornadas de Medicina Intensiva da Primavera, este ano dedicadas ao tema ""Sépsis", dias 6 e 7 de Abril no Seminário de Vilar, Porto. Organização: UCIP HGSA.

sexta-feira, março 31, 2006

Primeiro dia.

O primeiro dia do Congresso da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia e Congresso Luso Brasileiro só veio reforçar (não que a paixão estivesse a esmorecer) a minha convicção na escolha pela Anestesiologia!
Cenário: a Sala do Infante do Centro de Congressos e Exposições da Alfândega do Porto (edifício austero do final do século XIX onde me sinto estranhamente confortável. Talvez pelo facto do meu Avô e o meu Pai terem lá trabalhado enquanto transitários/despachantes.).
Destaques:
1. Peter Simpson, Presidente da ESA;
2. Eric Jacobsohn do Hospital da Washington University in St. Louis (sim, a mesma do nosso "Argolas" que, entretanto, deixou de o ser!). Duas apresentações brilhantes e cativantes sobre Controlo Hemodinâmico e Choque e Fluidoterapia. Gostei particularmente dos modelos da sépsis e trauma.

Logo à noite,
POP!

Pequenas grandes coisas!

Amanhã tenho o meu primeiro Congresso enquanto Interno de Anestesiologia.

Mas porque estar vivo é bem mais que trabalhar, namorar, estudar, dormir ou comer, há um sítio lá no fundo da Avenida (modo carinhoso como chamamos à da Boavista) onde onde o tempo para o ruído e o Sol se põe mais tarde.
Volto em breve aos amigos que me mostraram como é bom correr no Parque.

terça-feira, março 28, 2006

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas...

Seis anos de licenciatura em Medicina, um ano de formação generalista pós-graduada, horas a fio de reclusão e culto da estupidez para chegar a este dia: sou Interno do Serviço de Anestesiologia do Hospital Geral de Santo António, na cidade do Porto.

Esta casa também é minha!


domingo, fevereiro 26, 2006

Aos amigos da Escola!

Mais uma vez adorei!
É tão bom estar em casa daquela maneira com os amigos de sempre!
É incrivel como nós, pela certa bem diferentes do que há 10 anos atrás, temos a cumplicidade e inocencia de crianças a brincar em Paz.
É bom poder falar sem pensar, rir desmesuradamente, tocar, olhar e beijar indiferentemente mas sempre com o coração cheio e o sorriso rasgado.
É bom amar assim os amigos de sempre!
Adoro-vos!
Dia 25 de Março o mundo é nosso outra vez!
Temos que começar a tirar fotos!

PS. os apendices também não são más pessoas e os que não estiveram (João Nuno, Fredi...) fazem sempre falta!

sexta-feira, dezembro 17, 2004

As lutas de um expatriado

Uma semana mais cedo do que o previsto estou de volta à casa!
Tenho passado os últimos dois dias a lutar contra o jet lag, as nauseas da mefloquina, o frio e a ansiedade de começar a trabalhar no dia 3 de Janeiro.
Vou fazer o primeiro ano do meu Internato Médico no Hospital Geral de Santo António.
Penso sobre a continuação deste blog...

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Porto Chelsea num banco de jardim

O Martinho é um dos seguranças cá de casa. Fanático por futebol e benfiquista de nascença, converteu-se ao Portismo há já alguns anos. Pessoa de bem como está bom de ver.
Como a RTPi ontem não ofereceu mais do que a Praça da Alegria pela hora de jantar (que eu tenho seguido muito atentamente e estou a considerar seriamente a hipótese de levar lá as minhas avós), o Martinho ofereceu a sua casa para vermos a final da Liga dos Campeões, Porto-Chelsea.
Às 04.30 estávamos a caminho de um claro golpe de sabotagem por parte do canal indonésio que deveria transmitir a partida: “No signal”!
Mas portista que é portista não desiste.
Parámos o carro em frente ao mar, tirámos da mochila as cervejas e os amendoins e fizemos a festa num banco de jardim.
Entrámos muitas vezes pelo rádio dentro, saltámos, insultámos e “ai se fosse o Baía a bola não entrava!”
No fim, um suspiro de alívio sofrido e o orgulho ter o coração de uma só cor: AZULIBRÁNCO!


terça-feira, dezembro 07, 2004

Uma escola com 50 cêntimos por mês

A Directora da Escola Primária n.º 5 de Comoro em Dili, Ilídia da Silva Guterres, vê todos os dias da porta da sua sala 1164 crianças a brincar no pátio poeirento. Jogam à bola, cantam em português e em tétum e saltam à corda alheios aos problemas da Professora Ilídia.
Para aguentar a escola de pé os pais de cada aluno pagam 50 cêntimos (do dólar) por mês. O Estado, nada. Desculpem. Quase nada. Ajuda com algum material.
Os professores ganham 160$. Estão desanimados e “se não fosse pelas crianças já tínhamos ido embora”, desabafa a Directora. Ao fundo da dedicação vão buscar a força para continuar a fazer crescer o que concordamos ser “o futuro de Timor (são estas crianças)”.
Com 2 livros de matemática e 2 de ciências faz-se o que se pode. Um pau de giz na ardósia negra faz o resto, sobretudo quando o português não serve de muito.
É esta a realidade que ajudamos com as nossas campanhas de Natal.
Vê-la de Portugal custa. Falar com ela faz aquela impressão no meio da barriga. Vivê-la todos os dias é heróico.

terça-feira, novembro 30, 2004

O Dilema da Pequena Sereia

Nunca acreditei muito em “traumas de infância”.
Por isso, após uma tentativa falhada aos 16 anos decidi voltar ao mar de um modo que poucos de nós (e por nós entenda-se aqueles que não conseguem viver sem ele) têm oportunidade de fazer: através de um curso de mergulho (open water diver).
A “maravilhosa sensação que é conseguir respirar debaixo de água e sentirmo-nos livres, e blá, blá…” é bem verdade mas apenas depois de uns dez minutos no fundo do mar, porque enquanto ainda lutamos com o peso do equipamento, alguma sensação de aperto no peito e as memórias de uma experiência mal sucedida aquilo que pensei foi: “Lindo! Vinte e cinco anos, Timor Leste, duas instrutoras loiras debaixo de água, o melhor mar do mundo e eu, vou desmaiar…”!
Mas a paz finalmente reinou. Após umas manobras a 3 metros nadámos em direcção a barreira de coral. E aqui meus amigos o fascinio começa a fazer faltar as palavras e tudo o que queremos é trocar este mundo pelo outro.





P.S. Estive a um metro de Nemos como este e de tartarugas australianas...

segunda-feira, novembro 29, 2004

Se fosse em qualquer outro sítio talvez ficasse um pouco chateado…

Tinha marcada uma reunião para hoje às 09.00 com o Subdirector do Hospital Nacional de Dili para discutirmos a organização do país e do hospital em trauma e, esperava eu, dar os primeiros passos no sentido da criação de um Sistema de Trauma em Timor Leste.
Ainda com os olhos meios fechados apanhei boleia do Sr. Filomeno e às 08.45 estava no átrio do pequeno edifício. Um homem passeava de lata de insecticida na mão e a cada 2/3 metros participava no Plano Nacional de Erradicação da Malária enviando umas “sprayadelas” para um espaço que fica entre duas grandes portas abertas e para dentro de um gabinete fechado onde trabalhava uma senhora grávida. Ainda pensei tentar falar com ele mas…
Às 09.00, com uma pontualidade impecável, estava a entrar para dentro do gabinete do Enf. Benjamim, já com os olhos meios abertos.
Reparei que estávamos sozinhos (mau sinal para quem esperava mais médicos e enfermeiros na reunião).
Cheio de boa vontade e espírito empreendedor, pergunta-me: “Quando vai embora?”…”Então, poderíamos marcar ESTA reunião para a próxima semana, que o Sr. Director já cá está. Que acha? É que assim as coisas ficavam feitas mesmo em condições e também já cá estavam mais médicos.”
Disse: “Claro que sim. Também acho.”

Se fosse em qualquer outro sítio talvez ficasse um pouco chateado…